Las Vegas é também a capital do turismo de armas de fogo

Na capital do entretenimento dos EUA, homens e mulheres que nunca encostaram em armas têm chance de atirar com rifles, fuzis, disparadores de granadas e metralhadoras automáticas usados por forças militares.




Simon Winson, de Manchester, na Inglaterra, dispara uma metralhadora automática no campo de tiro da Machine Guns Vegas. (Agências)

A cidade de Las Vegas não se limita a hotéis de luxo, cassinos, bordéis e badalados concertos de artistas como Britney Spears ou Ricky Martin.

Em Vegas, homens e mulheres que nunca encostaram em armas na vida têm a chance de atirar com rifles, carabinas, disparadores de granadas e metralhadoras automáticas usados por forças militares dos Estados Unidos, da Otan ou de Israel – com a mesma facilidade com que pedem uma pizza ou fazem um passeio turístico pela cidade.

Há pelo menos cinco destes clubes de tiro turísticos no coração de Las Vegas – e nenhum deles exige experiência prévia ou porte de armas. Na maioria, é possível comprar os pacotes pela internet com pouca ou nenhuma antecedência – incluindo translado grátis do hotel.

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Entre os pacotes disponíveis, há opções excêntricas como a “Despedida VIP de Solteira”, que inclui um arsenal de armas pesadas e acesso a uma área especial para 40 convidadas.

Submetralhadoras alemãs como a Heckler & Koch MP5 – usadas por esquadrões de elite como a americana Swat ou o Bope, do Rio de Janeiro – estão à disposição de noivas e madrinhas por US$ 180 por pessoa.

A experiência termina em um espaço com TVs de tela plana e sofás de couro, onde o grupo pode comemorar o feito entre taças de vinho e espumante – também vendidas pelo clube de tiro (sempre após os disparos, que devem ser feitos “sem influência de álcool ou drogas”, supervisionados por instrutores profissionais).

Em um vídeo promocional embalado por música pop, um grupo de amigas às vésperas de um casamento gargalha enquanto confere os furos que atravessaram um alvo humano de papel – muitos deles, no coração.

Já na versão masculina do pacote, um clube vizinho oferece uma limusine para levar seus clientes a uma boate de striptease após os disparos.

Turista orientada pela instrutora, faz disparos com uma metralhadora M249 SAW (Foto Reprodução)
Crianças a partir de 10 anos

A idade mínima para os participantes surpreende: 10 anos de idade.

Segundo os proprietários de um dos clubes, criado por veteranos de guerra americanos, clientes nesta faixa etária podem disparar livremente com versões especiais de carabinas e pistolas, se acompanhadas pelos responsáveis.

O clube, entretanto, alerta que se reserva o direito de recusar o atendimento a crianças que “não obedecem ordens ou nos casos em que o instrutor de segurança avalia que o convidado não é competente para lidar com uma arma de fogo”.

Em um blog, um visitante brasileiro elogia a experiência. “Os clubes de tiros que já visitei são lugares de clima extremamente ‘leve’, com um público muito diversificado, formado por homens, mulheres, adolescentes (e até crianças) de todas as idades, nacionalidades e classes sociais.”

Um dos espaços oferece a seus clientes a partir de 12 anos a chance de atirar com “armas de fogo reais usadas em sucessos de Hollywood como Jumanji e Rambo II”.

Outro espaço, um enorme campo aberto nos arredores de Las Vegas, permite que menores de idade acompanhados pelos pais (o local não indica uma idade mínima) atirem de graça.

O clube de tiro ao ar livre se descreve no Facebook como um “espaço público de tiros seguro, acessível, divertido e indicado para a família”.

Nestes locais, 100% legais no Estado de Nevada, onde fica Las Vegas, basta apresentar um documento de identidade oficial e prestar atenção nas informações dos instrutores, que acompanham todo o processo.



Reprodução do espaço Walking Dead no turismo armamentista de Las Vegas. (AP).
‘Walking Dead’

Em sites de viagens, centenas de clientes satisfeitos elogiam os serviços.

“Não tenho experiência com armas, mas sempre tive a curiosidade de atirar com metralhadoras e armamento realmente pesado”, diz um.

“Os instrutores são muito pacientes. Leve muitos dólares porque o negócio é viciante…”, avalia outro.

Os pacotes prometem trazer à realidade experiências vividas pelos clientes apenas no cinema ou em videogames.

“Você terminará o dia dizendo ‘Hasta la Vista, Baby'”, diz a descrição do pacote ‘Judment Day’, que inclui duas pistolas e dois rifles automáticos por US$ 205.

Outro oferece uma “caça a zumbis”, com alvos caracterizados inspirados pela série The Walking Dead. Há também pacotes mais caros, como um apelidado de “Tudo incluído”.

A experiência inclui nada menos que 30 armas de calibre pesado, como os famosos fuzis AK-47 e SCAR ou UZIs, armas comuns em operações militares dos Estados Unidos no Oriente Médio.

Por US$ 2,5 mil, os clientes podem dirigir uma réplica de um tanque de guerra usado pelo Exército britânico.

Mas as ofertas mais impressionantes são os pacotes oferecidos para crianças, que vão desde o arco e flecha até armas de fogo tradicionais.

Armas pesadas usadas em exércitos como o dos Estados Unidos são oferecidas aos turistas nos clubes de tiros de Las Vegas (Foto: Reprodução/BBC)

As “experiências” oferecidas pelos clubes de tiro turísticos de Las Vegas se tornaram basicamente a única alternativa para os americanos e turistas que têm vontade de disparar com armas pesadas.

É que, desde que o Congresso americano aprovou a Firearm Owners Protection Act, de 1986, o acesso de civis a armas novas e totalmente automáticas se tornou quase impossível.

Milhares de armas consideradas “de direito adquirido” – fabricadas e registradas antes de 1986 – ainda podem ser compradas, mas por preços bastante altos.

Estas vendas, entretanto, devem ser aprovadas pelo Bureau of Alcohol, Tobacco, Firearms and Explosives do governo americano, em Washington.

Por BBC Brasil


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